índice das matérias novidades e atualizações.

.
Histórico

OrigemO Javali, é o que?Life StyleSituação

Sua Vida nas Quatro Estações
O javali este animal presente em seu habitat (Europa/Ásia/Norte da África) desde antes da presença do homem são animais nômades e sociáveis, que vivem nos territórios livres em bandos de 3 / 5 fêmeas adultas acompanhadas de numerosa prole, javardos de menos de um ano ou no máximo dois jovens machos do ano anterior.

                                                            Clique na figura para ampliar
 

Os machos mais velhos de mais de três anos são solitários mas aceitam a companhia de um jovem as vezes de dois que o acompanham como pajem. Entre os dois se estabelece uma relação de mutua aliança; o mais moço enfrenta como primeiro as situações mais perigosas mas é o velho que com sua experiência sabe como evitar as armadilhas e encontrar comida; e é sempre o mais velho que estabelece aonde ir, quando e onde parar e onde estabelecer uma parada para o repouso noturno. Isto porque o javali como muitos animais selvagens que dividem o seu espaço com o homem, são mais ativos à noite enquanto dormimos. Ao entardecer abandonam o seu esconderijo e se dirigem antes de mais nada a uma poça de água rasa e barrenta onde os adultos se dedicam as operações de toalete, revolvendo-se no barro. Sobretudo no verão estas operações são demoradas e trabalhosas, mas durante o inverno a limpeza não é deixada de lado mesmo que seja necessário romper a superfície congelada da água. Bem antes de nós humanos os javalis descobriram as propriedades terapêuticas dos banhos de barro, ricos de minerais de efeitos benéficos e de diminutos grãos  de areia da ação abrasiva que asportam como um eficaz peeling, fragmentos de epiderme morta e parasitas. Em concluindo a terapia de beleza, os javalis usam se esfregar os flancos, pescoço e cabeça contra a casca áspera de uma arvore, melhor se de uma conífera que exala uma ação repelente com a resina pegajosa. Finalmente limpos os javalis se  organizam para  viver a sua noite. Essencialmente nômades, permanentemente a procura de alimento, se colocam rapidamente em movimento. Seguem pela mata por caminhos usuais, trilhas mantidas abertas de geração em geração pelos inúmeros cascos e moldados ao seu redor e nas paredes pelo roçar de numerosos costados e flancos; um traz dos outros, os cascos sobre  o mesmo rastro do vizinho tanto que parecem deixados por um só animal, percorrem a pista ao passo, no trote e no galope. Abre a fila a fêmea mais velha a líder que comanda o grupo e fecha um jovem macho, ao qual lhe é confiado a tarefa da retaguarda, uma tática de defesa eficaz em outros tempos contra os lobos e os linces, hoje mais freqüente contra as raposas e  os cães que podem surpreender o bando pelas costas. Se durante o trajeto se encontram com outros javalis que procedem em sentido oposto, o direito de precedência seque no sentido da ordem hierárquica ; antes os machos mais velhos, depois as fêmeas estas também segundo a idade e enfim os javardos, as mães e por ultimo os filhotes.

Clique na figura para ampliar.

HORA À HORA EIS O SEU DIA A DIA

Como todos os animais que dividem o espaço com o  homem, o javali se adaptou à uma vida prevalecentemente noturna para não ser perturbado; por isto passa  quase o inteiro dia dormindo no seu refugio de folhas em um canto apartado da mata. Ao despertar ao crepúsculo, começa em grupo a explorar o bosque ao longo dos trilhos usuais. Mas a sua atividade plena se dá durante a noite, quando o animal, verdadeiro "arado" sai à procura de alimento, fustigando o solo revolvendo pedras, cavoucando, esbravejando e disputando as bocadas com seus comparsas. Enfim próximo ao amanhecer  se recolhe para descansar. 

Na escuridão da noite os javalis se movimentam orientando-se com o olfato e  a audição mais que com a vista, um sentido pouco desenvolvido nestes animais que preferem as penumbras e evitam longas marchas pelas noites de lua cheia. A eles é favorável o tempo úmido e nublado, quando mil cheiros excitantes estão difusos em infinitas, e microscópicas  gotinhas de vapor, enquanto os desorienta o soprar do vento, que dispersa os rastros de mais odor.   Encontrado um local propicio, o javali explora o terreno com seu focinho, onde se abrem as grandes narinas; grunhindo, conversando entre eles, brigando, revolvendo pedras, cheirando, mexem e remexem, reviram aqui e ali com as patas anteriores a procura de raízes, tubérculos, pequenos ratos, minhocas, larvas, lagartos, ovos e ninhos de pássaros. São de fato  onívoros: preferem os alimentos vegetais, mas não desdenham de integra-lo com proteína animal. No verão e outono quando a vegetação é rica de bagas e de frutas, de novas raízes e brotos de amêndoas e trufas, quando os cereais dão espigas cheias de  grãos maduros e as batatas e beterrabas  acumulam  amido e açúcar nos seus tubérculos subterrâneos, os javalis podem se banquetear em uma variedade de alimentos assim vasta de lhes  consentir uma seleção segundo um gosto pessoal; esta qualidade de batata sim esta outra não. Seguindo o insaciável apetite e atraídos por outros desejos faz com que saiam de seus espaços silvestres e adentrem os limites dos campos cultivados; o camponês encontrará o campo de batatas revirado por uma inesperada aração ou então o campo de milho devastado por longas trilhos batidos que levam a vastas zonas de plantas dobradas ao chão e as espigas roídas. No inverno ao invés, quando a vida vegetal esta em retrocesso prevalece a dieta carnívora; assim os javalis individualizam com seu afinado faro a toca de um rato e abrindo os canais subterrâneos surpreendem os habitantes em profundo sono letárgico; ou senão dirigem sua atenção às carniças, ou às toupeiras ou ainda aos filhotes de cervos e lebres que são descourados antes meter-lhes os dentes.

Clique na figura para ampliar

DE INVERNO À INVERNO
EIS SUA DIETA

A dieta do javali varia durante o ano conforme a disponibilidade de alimento presente no ambiente . As estações mais propicias para ele que em principio é vegetariano são o verão e o outono, quando tem à sua disposição cereais, tubérculos, raízes, trufas, glandes, castanhas e fruta em quantidade. No inverno entretanto quando a vida vegetal é bastante reduzida ou até inexistente, o javali passa a uma dieta substancialmente carnívora: assim os roedores, os insetos, as lebres, os filhotes de veados e de outros animais são seu cardápio, substituídos na primavera, por rãs, caramujos, serpentes, ovos de aves que nidificam no solo, complementados por cogumelos,  raízes, brotos de capim e vegetação nova.

Na primavera serão as larvas dos insetos a fazer parte de seu menu, as minhocas, os caramujos, os lagartos, as rãs, os ninhos de aves  que nidificam sobre a terra como os faisões e perdizes. Também a serpente é vitima desta onda arrasadora; parece que o javali seja imune ao veneno da cobra graças à espessura da gordura que se acumula em seguida a tão frenética comilança. Nas suas idas e vindas a procura de alimento um macho adulto pode percorrer em uma noite 40/ 50 quilômetros. O fato é que num ambiente tão habitado como o nosso os longos deslocamentos são irrealizáveis e provavelmente é bem por isto que eles avancem  nas zonas cultivadas. Antes do amanhecer retornam ao bosque fechado a procura por um local tranqüilo, amparado do vento, donde transcorrer o dia. Encontrado o local idôneo, nivelam o terreno com as patas, cobrem de folhas e capim seco e preparam uma espécie de jazigo. Aqui após vários alongamentos e bocejadas, se acostam para dormir, com o focinho em direção à trilha  de acesso, uns juntos aos outros, posto que os javalis como animais sociais, amam o contato físico com seus semelhantes.  A estação dos amores tem seu  inicio aos primeiros dias de novembro e se prostra ate o fim de janeiro. As fêmeas de um mesmo grupo entram em cio simultaneamente e este fato mantêm firme a coesão; todas aparentadas entre si, mães, irmãs e tias põe ao mundo os filhotes ao mesmo tempo  podendo-se ajudar umas com as outras na criação. Se bem que machos e fêmeas atinjam a maturidade sexual à idade de sete/oito meses em geral somente aos ano e  meio /  dois anos se reproduzem. De novembro à janeiro o dia à dia  social dos javalis é conturbado pela tensão amorosa; os jovens machos se apartam do grupo materno e formam grupos separados, enquanto os machos mais velhos, os solitários, abandonam a quietude de seus territórios. Sem mais se alimentar,  batendo os dentes e grunhindo nervosos e irritadiços vagam por quilômetros e quilômetros vasculham entre as folhas, exploram o terreno, cheiram o ar para captar o odor das fêmeas no cio, enquanto marcam sua passagem largando espumas de saliva,  cheiro agudo da urina,  do suor e da secreção da glândula prepucial. Mensagens químicas de evidente significado aos rivais. Quando um macho já extenuado pelo jejum avista finalmente um bando de fêmeas, deve ainda dar-se ao trabalho de enfrentar um adversário. Se não existe uma prioridade de ordem hierárquica pelo que o jovem cede o direito ao mais ancião sem discussão, a contenda é resolvida na porrada. Os machos javalis são equipados de armas mortíferas, as presas, afiadas como punhais. Se trata dos caninos superiores e inferiores, ambos a crescimento continuo e voltados para cima. Os superiores mais curtos afiam com o atrito a superfície dos inferiores muito mais longos. Em geral porem as contendas amorosas são realizadas em movimentos que não prevêem o uso das presas e o confronto é uma prova de força e de robustez: os dois machos se enfrentam procurando cada um de investir sobre o outro. Na maioria das vezes em poucos minutos o resultado é evidente e a tensão resolvida. Mas se os dois rivais são de força equivalente se transforma em uma verdadeira luta: em pé sobre as patas posteriores, ombro à ombro, se empurram, tentam golpear-se com as presas no pescoço, enquanto cada um opõe os flancos às lancetadas do rival.  O corpo de um macho adulto é extraordinariamente forjado para a luta: se de um lado evoluiu com armas para assentar lancetadas de outro lado possui estruturas adaptadas para apará-los, pois que os flancos e espáduas são cobertos por uma capa de couro mais espessa e muito robusta que os protege como uma couraça. Semelhante a dois antigos guerreiros, os contendores lutam em um turbilhão de poeira entre grunhidos e empurradas ate que um não se declara vencido. O vencedor então executa uma parada intimidatória com a vitória, para que não haja duvidas sobre o resultado da luta. A fêmeas não discutem o resultado. Dono do espaço, o macho pode finalmente desafogar seu apetite sexual. Escolhida a companheira, dedica-lhe um cortejamento algo rústico, persegue-a procurando monta-la: ela não esconde em principio uma certa relutância fugindo e gritando, enquanto o macho a persegue emitindo grunhidos particulares que ao ouvido dela chegam como sons de um afeto altamente erótico, tanto que ouvindo, a fêmea assume uma posição de imobilidade que precede o acasalamento. Esta fase não é um ritual rapidinho: dura váaarios minutos.  A gestação se faz entre 110 à 140 dias, e os nascimentos advém com a chegada da primavera. No ultimo período a fêmea fica menos sociável e deixa o bando para procurar no bosque um local mais reparado próximo a água e rico em alimento, para construir uma cova para o parto. Cava uma depressão no terreno com o focinho, onde junta uma grande quantidade de folhas, samambaias e musgo, ramos  e capim seco disponibilizando tudo muito bem com seu peso. Enfim dispõe tudo em volta formando uma borda, resultando em um gigantesco ninho com aprox 2 mts de diâmetro. Quando chega o momento do parto, a fêmea se acosta quase desaparecendo no ninho. Em breve vêem a luz os filhotes, dois / três à primeira gravidez, de quatro à seis a um máximo de dez excepcionalmente nas sucessivas parições. A mãe, a diferença de outros ungulados, permanece passiva deixando que os filhos se virem por conta própria. Como emergem do corpo materno se esfregam nas folhas da  toca, os neonatos se livram dos fragmentos da placenta e do cordão umbilical. Já tem os olhos abertos, 10 dentes entre os quais 4 caninos e em poucas horas aprendem a ficar em pé. Um javalizinho experimenta as duras regras da vida desde este primeiro momento, porque deverá competir com os irmãos para alcançar o bico mamário que produz mais leite , aqueles da zona do umbigo.. Assim de pronto os neonatos se empurram e brigam até que os mais fortes se apoderam das melhores posições , a despeito de qualquer principio de equidade de distribuição dos  recursos. O pelo estriado em linhas horizontais claras e escuras , os filhotes se mimetizam com o terreno para escapar dos eventuais predadores que ficam de tocaia como as raposas, as aves de rapina e os gatos selvagens. Por uma semana a mãe permanece perto ao ninho saindo somente o estritamente necessário para se alimentar. É agressiva contra qualquer intruso, congênere ou não, que se avizinhe. Após duas semanas , quando os filhotes estão aptos a segui-la se reunirá às outras fêmeas do mesmo grupo familiar e vivem de forma comunitária no trato de suas crias. . Em geral a fêmea pare uma vez ao ano,  excepcionalmente duas  em situações favoráveis de habitat e alimentação, enquanto em situações contrarias pode não se reproduzir. 
Assim são os hábitos do nosso javali; cada vez mais confinado pelo avanço da agricultura / pecuária. Continua presente na natureza até os dias de hoje, rústico, robusto e inteligente graças à sua excepcional qualidade de se adaptar no seu dia a dia às diferentes estações e às mais adversas condições ambientais.
Venerado pelos Celtas, o javali selvagem representava um animal sagrado muito importante e simbolizava também a coragem e a força. Couros, crânios e presas de javalis selvagens faziam parte da indumentária e adornos de caçadores e guerreiros, e eram colocados nas tumbas dos mortos afim de dar a estes a força necessária para empreender sua viagem à uma nova vida em outro mundo. Perseguido pelos caçadores desde os primórdios da civilização pela sua bravura e qualidades de sua carne fez parte da historia de todos os povos da Europa e Ásia, do Império Romano, Austro Húngaro, dos Czares da Rússia, tornou-se um dos animais mais emblemáticos da epoca; foi alvo para banquetes, eventos, presentes e doações, motivo para moedas, murais, quadros, tapeçarias, cerâmicas, estátuas, peças de indumentária de guereiros e adorno enfim foi exportado para todo o mundo, foi domesticado e modificado; deu origem ao nosso porco doméstico e suas varias raças. Quanto à carne; com muita propriedade vale o conhecido ditado; Sempre imitado nunca igualado.

(Original cedido por Sergio Gatti - Traduzido e adaptado  por jcprada)

O Javali, é o que?

Situação


Caixa Postal 24 - Cep 14230-000 - Serra Azul - SP - Brasil         (0xx16) - 651 4338    E-mail: jcprada@jcprada.com.br